DA
FEIRA DO LIVRO DE LISBOA e afins! - Entrevista a Ângelo
Rodrigues.
Quais as expectativas para a Feira do Livro deste ano?
As
expectativas são sempre as melhores. Todos os anos renasce
a esperança que é a última a morrer! Desejo
que este ano a feira seja melhor que nos anos anteriores em
todos os aspectos: desde a logística e a funcionalidade
até à programação cultural que não
tem sido a melhor e a mais pertinente para um evento desta natureza.
Estou um pouco cansado da mesma concepção de eventos.
Inovar é preciso e urgente! É necessário
também convidar “outras” pessoas (programadores
e criativos para além de “outras” instituições).
Esta feira tem alguns vícios porque – entre outras
razões - me parece que são sempre os mesmos a
reflectir e a executar.
Quais
os principais lançamentos que a vossa editora planeia
ter durante este evento?
Tencionamos
realizar no Auditório Principal da feira, três
apresentações de livros em cerimónia apropriada:
em princípio, no dia 4 de Junho apresentaremos a colectânea
de conto e poesia LAÇOS DE PALAVRAS com vinte autores
da diáspora. No dia 5 de Junho tencionamos apresentar
o livro de ficção DITOS NORMAIS de Jorge Oliveira
(director do Espaço t) com o apoio desta instituição.
No dia 11 de Junho está previsto a apresentação
de um “grande” romance NA CIDADE SECRETA DOS GOLFINHOS
de Deep Me. Este evento terá uma componente lúdica
e musical inovadora e tentaremos que seja um dos eventos de
referência desta edição da Feira do Livro
de Lisboa - assim possamos ter – como desejamos –
o devido apoio logístico da APEL e da C.M. de Lisboa.
Paralelamente a estas apresentações, decorrerão
no stand da Editorial Minerva, praticamente todos os dias, várias
sessões de autógrafos e um espaço de informação
e esclarecimento aos novos autores no âmbito do nosso
DNA - Departamento de Novos Autores da editora.
Que balanço faz da Feira do Livro nos últimos
anos?
Trata-se,
de facto, de um evento marcante para a cidade de Lisboa e para
o país. Se eu tivesse algum poder sobre a organização
e concepção da feira, alteraria cerca de cinquenta
por cento de tudo um pouco. Entre outras medidas a reflectir
com mais calma e tempo, retirava a feira do local onde se encontra
e procuraria, como medida principal, organizar – com bastante
antecedência – um bom e ecléctico programa
cultural. Além do referido, os stands que existem já
não têm muito sentido para os dias de hoje e não
dignificam em nada o aspecto e a estética da feira –
está tudo muito visto e o público habitual está
cansado. Este evento necessita urgentemente de ser modernizado
e adaptado às novas exigências e aos novos hábitos
de um público que se deseja também novo. De 0
a 10, o balanço é 5.
Em
que medida pode contribuir um evento desta natureza para o mercado
livreiro?
Para
mim é evidente que esta feira exista, se desenvolva e
se modernize (com tudo o que isso implica) para bem do mercado
livreiro – principalmente os pequenos e médios
editores. Para muitos, as vendas só são razoáveis
por esta altura do ano. Tenho uma teoria muito peculiar e pouco
ortodoxa que revolucionaria o mercado do livro mas por agora
– também por uma questão de tempo –
limito-me a deixar esta pequena provocação: acabem
com as vendas de livros nos hipermercados e fechem, de vez,
as livrarias demasiado selectivas, preconceituosas e algo pretensiosas;
uma boa livraria deve ter tudo, exactamente TUDO. Se comprarem
os livros directamente aos editores muita coisa poderá
melhorar tal como a redução do preço dos
livros e o consequente aumento do consumo bem como o provável
e desejável desenvolvimento dos hábitos de leitura.
Parece uma proposta paradoxal mas garanto que não é.
Com a Internet muita coisa mudou. Eu e a minha família
(como tanta gente) adquirimos vários livros e é
raro fazê-lo nas livrarias e muito menos nos hipermercados
e nas grandes superfícies.
Concorda
com os moldes em que este evento é feito? O que mudaria?
Digamos
que concordo com uma parte e outra não. Como já
referi, a programação cultural devia ser mais
cuidada e realizada com mais tempo de antecedência. Além
disso, penso que seria desejável envolver mais as escolas
e outras importantes instituições. Como já
referi, mudava o local, a estética geral da Feira e o
tipo de promoção da mesma.
Quais as grandes diferenças que encontra, comparando
este evento com outras feiras no estrangeiro?
Em
muitos aspectos, precisamente o contrário do que referi
atrás: melhor promoção do evento e das
editoras; mais apoio aos editores e aos intervenientes (artistas,
escritores e outros agentes) do programa cultural; melhores
condições e infra-estruturas. Sinceramente, de
uma maneira geral, os auditórios principais das várias
sessões da feira não têm tido a qualidade
estética e arquitectónica compatível com
a importância e a dignidade do evento. Mas também
há coisas muito boas que não mudaria. Penso que,
com o mesmo tipo de investimento económico e humano se
poderia fazer muito melhor. É também uma questão
de carolice, vontade, criatividade, gosto e empenho.
Em
que medida estes eventos podem ser importantes para as cidades
que os acolhem?
Penso
que a importância é óbvia. Não imagino
a cidade de Lisboa sem uma feira do livro com esta dimensão.
Esta feira faz parte integrante do “património”
de Lisboa.
Concorda com a forma como o espaço está
distribuído? Em caso negativo, porquê?
O
Parque Eduardo VII é um local aprazível, bonito
e central da cidade mas não oferece outro tipo de condições
tidas como fundamentais ao evento. Trata-se de um espaço
desnivelado e ao ar livre! É raro o ano em que não
chove durante a feira com as consequências óbvias
para as vendas e para a cativação de público.
Quanto à distribuição de espaços,
não me parece o melhor. Além de tudo isto, continua-se
a fazer experiências todos os anos com nefastas consequências
para os editores e para os visitantes. Dá a sensação
que a feira é pensada e executada “em-cima-do-joelho”.
Ora, um evento desta natureza devia ter um plano bem elaborado
e competente e o seu projecto devia começar logo que
termina a última feira; enquanto isto não for
interiorizado e assumido por quem de direito, será sempre
mais do mesmo.
Qual o peso da Feira do Livro nos negócios anuais
da vossa editora?
Não
sei exactamente quantificar mas tenho a percepção
de que esta é a feira - em Portugal - onde mais se vende.
Que
comentários lhe merece a cobertura mediática a
este evento?
Já
me referi um pouco a isso dizendo que devia haver uma maior
e melhor cobertura mediática. Se me é permitido
uma sugestão, tentem este ano – talvez ainda possam
ir a tempo – envolver mais as escolas. Sei, por experiência
própria (também sou professor), que pouca ou nenhuma
informação (promoção/divulgação)
chega às escolas sobre este grande evento da capital
e do país. Oxalá tudo melhore um pouco mais nesta
edição!
Ângelo
Rodrigues
http://angelorodrigues1.com.sapo.pt
(página pessoal )
Director literário
minerva_dna@netcabo.pt
www.editorialminerva.com
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